HIDRA
VENCE JULGAMENTO, por Correio Matinal
Uma
sessão cheia de substantivo politicamente correto!
E
viva a Hidra!
No meio de um dia solarengo, numa tarde,
à primeira vista como outra qualquer, eis que, na Universidade Católica
Portuguesa na Faculdade de Direito da Escola de Lisboa, na Sala 131 dessa
mesma instituição, o mundo da Turma A de Contencioso Administrativo estava
prestes a ficar com muito mais conhecimento e a tornar-se muito mais
interessante.
Já nos são bem conhecidas as grandes e
“pacíficas” manifestações que os taxistas têm levado a cabo devido à presença
em Portugal da Hidra, aliás, já não são poucas as piadas que temos feito com as
belas declarações de Vitor Corleone – “somos pacíficos, mas estão-nos a
provocar e desconfio que vai haver muita pancadaria.”. Podemos estar enganados
mas entre o pacífico e a pancadaria há um longo caminho, mas, se formos de táxi
vai mesmo muito mais rápido.
Desta vez, a paz foi levada a tribunal.
Em causa, o facto do Ministério do ambiente ter regularizado as condições de
utilização das plataformas informáticas de transporte de passageiros, o que não
deixou as associações de taxistas especialmente felizes embora sempre pacíficas.
O coletivo de juízes deu início à cessão
às 14h18 minutos, com uma entrada triunfante por parte do juiz presidente
Manuel Franqueira Dias. Este mesmo procedeu ao sumário do pedido:
-
pedido de impugnação
de acto administrativo, em concreto, do licenciamento concedido pelo IMT, I.P.
- pedido de impugnação de normas
-
pedido
de indemnização por responsabilidade civil
No início do julgamento as partes tiveram
direito a dizer de sua justiça o que pensavam e, entre linguagem muito jurídica, retivemos que:
A AMTRAL é mesmo muito antiga – já se
passeiam pelas faixas Bus desde 1941 – e que o que eles querem mesmo mesmo é
defender os taxistas. Não são muito fãs da Hidra – essa é uma mera criança que
se passeia há pouco mais de 2 anos (e já tem pernas para guiar) – que é detida
maioritariamente pelo asiático Ti Pag (asiático não, que o coletivo pode não
gostar). Esse mesmo senhor, no Verão de 2016 veio a Lisboa e ficou no Ritz, ali
ao pé da Av. Da Liberdade, local onde reuniu com o Ministro do Ambiente. A
AMTRAL diz, então, que o asiático ofereceu ao português uma viagem a Macau.
O MINISTÉRIO PÚBLICO, defende que pode actuar nesta situação, pois tem competência para representar o Estado e por isso tem o dever de promover o princípio da igualdade.
O MINISTÉRIO DO AMBIENTE, vem dizer que
nada disto é verdade, mas demora-se nesse processo - tanto que da parte do Juiz
Presidente ouvimos a frase “têm mesmo que terminar (a vossa exposição)" variadissímas vezes. Em relação à reunião no Ritz, eles dizem que não é
possível ter acontecido porque o Ministro do Ambiente ainda não é omnipresente
e, segundo os seus advogados indicam, ele estava em Conselho de Ministros à
hora indicada.
O Ministro foi, de facto, a Macau, para estar presente no Green
Transport Forum – que serve para discutir a necessidade de regulamentar os
serviços de mobilidade. Em relação ao eterno inimigo dos taxistas, a Hidra, o
Ministério do Ambiente vem dizer que esta tem licença para andar nas estradas
portuguesas desde Agosto de 2016.
Por fim, em linguagem muito técnica, os advogados dizem-nos que nada do que os taxistas vêm pedir é admissível porque a Hidra presta um
serviço diferente dos táxis e porque, por isso mesmo, não tem as regalias que
os taxistas têm – andar na faixa bus, receber gorgetas, poderem parar e
qualquer sítio, etc.
Começou, então, a parte engraçada, as testemunhas chegaram!
A AMTRAL chamou quatro pessoas, Ti Pag,
Telmo Moreno, Vitor Corleone, Maria Clotilde dos Prazeres.
TI PAG, começou por dizer que conhecia o
Ministro do Ambiente e que tinha almoçado com ele no Ritz naquele dia, com o
intuito de elaborarem uma lei para a Hidra ser legal em Portugal tendo ele
mesmo pago o almoço. No meio disto tudo, a Dr. Mariana Oliveira queria que Ti
Pag começasse a confessar um crime questionou-o no sentido de saber se este tinha subornado o Ministro do Ambiente, mas o Ministério Público não
quis deixar e os juízes não deixaram também. A Advogada do Ministério do
Ambiente tentou interrogar Ti Pag, mas foi com o vento sentar-se novamente porque não estava a perguntar nada
que interessasse aos juízes.
TELMO MORENO, que é chefe de sala do
restaurante do Ritz, tem uma memória e pêras (não fosse ele lidar com comida
todos os dias). Ficámos a saber que para chefe de sala não tem muito jeito para
servir cafés, visto ter entornado um no colo do Ministro do Ambiente (que
estava no Conselho de Ministros – ou não estava, não percebemos) e que por isso mesmo, ofereceu
à mesa uma garrafa de champanhe. Ficámos também a saber que Moreno gosta de
ensinar os seus estagiários e que, por essa razão, teria sido uma estagiária sua, Teresa Amaral Cabral, a retirar o recibo para aquela mesa.
VITOR CORLEONE, já conhecido pelos nossos
leitores manteve as mesmas afirmações que temos ouvido nos últimos tempos – a
Hidra é má, a Hidra rouba-nos clientes e que os taxistas é que sofrem porque
pagam muitas coisas. Tanta coisa tanta coisa, mas quando o Dr. Francisco Maia
Cerqueira, advogado do Ministério do Ambiente, o questionou do que era o ISV este
nem nunca tinha ouvido falar (em caso de dúvida é aquilo que todos nós,
condutores de automóveis, pagamos, o Imposto sob veículos. Mas os taxistas não
pagam).
MARIA CLOTILDE DOS PRAZERES, que é
consultora da Devoite, veio explicar a influência no mercado dos taxistas desde
que a Hidra chegou a Portugal, que aos olhos desta perita foi mesmo uma
infuência muito grande, ela queria entregar um documento que demonstrava isso,
mas os juízes não deixaram.
O MINISTÉRIO DO AMBIENTE chamou 4
testemunhas, o Ministro do Ambiente, Margarete Castilho, Rodolfo Sousa e Suzete
Fernandes.
O MINISTRO DO AMBIENTE disse que do dia
do suposto almoço estava em reunião de conselho de ministros. Depois houve uma
grande confusão sobre a sua viagem até Macau.
MARGARETE CASTILHO, que trabalha na
agência de viagens que ganhou o concurso público para fazer a viagem do ministro a Macau, tendo sido ela mesma a agendá-la. Quando Dr.
Roberto (AMTRAL) lhe perguntou sobre o método de pagamento esta não se
lembrava.
RODOLFO SOUSA, um ex-taxista, novo
trabalhador da Hidra e benfiquista ferranho, foi questionado sobre a diferença
entre os serviços que prestava no seu antigo emprego e no novo, dizendo que uma
coisa não tem nada que ver com a outra, na segunda não há gorgetas mas a vida é
muito mais calma porque todas as pessoas pagam.
SUZETE FERNANDES, acompanha o Ministro
nas suas viagens e fê-lo na viagem a Macau, tendo sido questionada sobre o
percurso que fizeram até lá. Disse que não se recordava de nenhum encontro do
Ministro com Ti Pag durante a conferência.
Uma semana mais tarde, e depois dos juízes se
decidirem, no dia 13 de Dezembro de 2016, ficámos a saber o que eles pensam.
Então, à excepção de dois deles, a maioria achou que a HIDRA tinha razão e que
portanto, não se iam satisfazer as vontades dos taxistas.
Se acham que a história acaba aqui, nós
não achamos, achamos mesmo que o politicamente correto do julgamento vai mesmo
ficar pela sala 131, pois lá fora espera-lhes, como Vitor Corleone nos diz, uma
pacífica pancada e um belo recurso.
Até ao próximo capítulo.
Texto por:
Texto por:
Marta Ribeiro de Sousa, 140113016
Fotografias e Gravação por:
Mark Tam
João Carvalho
João Carvalho












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